“Dom Silvestre: agora eu vou ao bairro São Pedro
Dom Geraldo: o senhor tem algum compromisso. A esta hora debaixo do sol! O que o senhor vai lá fazer?
Dom Silvestre: como diz o ditado popular longe dos olhos, longe do coração. Então eu vou lá para ver os pobres, porque longe dos olhos, longe do coração”.

Essa lembrança de Dom Geraldo Lyrio de uma conversa com Dom Silvestre e que foi repetida no dia de hoje, junto com outras atitudes de Dom Silvestre lembradas em diversos momentos, como as citadas por padre Roberto Natal e Dom Paulo Dal’Bó, respectivamente, humildade – homem de oração – compromisso com a Justiça e Direitos Humanos e Homem de misericórdia e sensibilidade humana, expressam bem o que marcou a vida deste homem de fé.

Dom Silvestre foi tudo isso e muito mais. As palavras não conseguem descrevê-lo porque nele o silêncio sempre falava mais que as palavras. Cabeça baixa e poucas palavra era sua característica, mas as poucas palavras eram sábias, oportunas e sempre em favor do bem.

Na última missa de corpo presente durante o velório, a presença de familiares, muitos seminaristas, padres, os bispos de Colatina e São Mateus, Dom Geraldo Lyrio Rocha e uma multidão de fiéis que desde a chegada do corpo se revezou espontaneamente para prestar homenagem e rezar por Dom Silvestre. Os testemunhos de pessoas confirmavam, o tempo todo, o carinho e acolhimento de Dom Silvestre, principalmente com os mais pobres. Mas não eram apenas os mais pobres que respeitavam e admiravam Dom Silvestre. Autoridades civis e políticos também estiveram no velório, entre elas o Ex-Governador Paulo Hartung, o deputado federal Helder Salomão, a deputada estadual Iryni Lopes, o presidente do Tribunal de Justiça, o Prefeito de Vitória, Luciano Rezende, e o Governador Renato Casagrande.

A missa foi presidida por Dom Dario Campos, Arcebispo de Vitória que logo no início justificou a ausência de Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo emérito e sucessor de Dom Silvestre que enviou à família um afetuoso abraço; justificou a ausência de Dom Aldo Gerna que não teve condições de se fazer presente, mas era muito ligado a Dom Silvestre com quem trabalhou muitos anos e considerava um irmão; saudou o Provincial da Congregação do Verbo Divino, Pe. Alfredo.

Durante a homilia Dom Dario disse “as aparências enganam, quem via a fragilidade física de Dom Silvestre e sua fala mansa não imaginava a força que ele tinha. Depois destacou três pontos da Palavra de Deus que conseguia perceber em Dom Silvestre:

1. A força do Espírito atribuída ao Profeta Isaías

2. A frase da segunda leitura: Quem crê em mim, viverá

3. A frase da carta de Paulo a Timóteo: combati o bom combate

Diversas vezes Dom Dario Repetiu: “colocamos nas mãos de amadas do Pai, Dom Silvestre que ficou nesta Arquidiocese mais de 20 anos. “Queremos depositar nosso irmão nas mãos do Pai com o rosto molhado pelas lágrimas, mas com fé”. “Com fé e na caridade confiamos nosso irmão nas mãos do Senhor da messe”.

“Tantos gestos e atitudes em seu pastoreio marcaram muito o rebanho a ele confiado”, disse Dom Dario.

A homilia terminou com um convite: “Agora vamos agradecer a Deus pela vida de Dom Silvesre e, de pé, dizer todos juntos: muito obrigado!
Dom Dario pediu ainda uma salva de.palmas para pe. Alfredo, confrade de Dom Silvestre e disse: foi ele que cuidou de Dom Silvestre em Juiz de Fora e foi ele que saiu de lá para nos trazer o corpo.

Pe. Carlos, Provincial dos padres Verbitas também agradeceu pela vida de Dom Silvestre, agradeceu aos familiares que o ofereceram à Igreja e expressou suas condolências.

Ao final da homilia e palavras de pe. Carlos foi lida a carta da CNBB a Dom Dario que terminou dizendo “Somos cidadãos do céu”!

Após a missa Dom Geraldo Lyrio Rocha conduziu as exéquias e o cortejo fúnebre seguiu no carro dos bombeiros para o cemitério onde o corpo foi sepultado.